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Alumínios Tuela vencem Maratona de Futsal de Bragança

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Ter, 12/06/2018 - 16:33


Foi uma final em grande com as duas equipas a alinhar com jogadores de craveira nacional. Entre os nomes sonantes destaque para Ludgero e Ruan Silvestre, ambos do SC Braga, ou o guarda-redes do Rio Ave, Joel Silva, na formação do River Clube de Mirandela.

Mundo Terceiro

Boas tardes meus caros! Hoje vou falar de características da classe média em países com diferenças sociais abissais, do género, imaginem o Cabo da Roca: cá em cima está o tilorilo-rico a tirar selfies com o mar azul imenso como pano de fundo, lá em baixo está o tilorilo-miserável, algures no fundo do penhasco, somente à espera que o mar venha recolher os seus restos mortais.  É no máximo um ser vivo e, quando o resto do pessoal está bem disposto, um ser humaninho. Este tipo de traços comuns não tem bandeiras nem credos. Disseminados por todo o planeta, Ásia, África e Américas são onde mais facilmente se podem encontrar estes espécimes de "classe média". São sociedades socialmente partidas, entendendo-se aqui partidas não como conceito sociológico, mas mais como conceito futebolístico. Isto é, são sociedades como aqueles jogos de futebol (partidos) em que o tempo de jogo e a resistência dos jogadores se aproximam inexoravelmente do fim, o treinador exaspera sem ninguém lhe dar ouvidos, os adeptos estão à beira do colapso nervoso e deixa de haver qualquer organização tática na busca por um resultado positivo, substituída por doses infinitas de adrenalina, o coração na boca, nos pés, na cabeça e nas mãos, unhas roídas, cigarros atrás de cigarros, estamos por tudo, e uma fé nítida e imensurável de que agora é que vai ser, sim, o milagre está prestes, prestes a acontecer. É nesse efémero e desesperado momento em que tudo passa a ser perfeitamente natural e possível e o céu e o inferno dão as mãos e sustêm a respiração na mesma expectativa que o tecido social destas sociedades se encontra. Partido como os jogos de futebol. Qualquer semelhança com a coincidência é pura realidade. Exemplo cabal: reportagem de um jornal semanário o ano passado sobre uma recente vaga de imigrantes, algo do género “Portugal Nova Miami”. E diz às tantas um jovem casal “se disséssemos aos nossos amigos que aqui não temos empregada e temos de cozinhar e tratar das coisas todas da casa eles iriam rir-se de nós. Tivemos de aprender a fazer tudo do zero”. Dito assim soa apenas a estúpido e um bocado arrogante. Se eles fossem os recém-casados príncipes de Inglaterra – não dotados de inteligência suficiente para dizer isto desta forma – até se compreenderia. Quer dizer, compreender-se-ia no caso do príncipe, não tanto no caso da bela e plebeia princesa. Enfim, se eu me deixar de coisas e disser que ela se tratava de uma jovem e comum psicóloga e ele de um ainda mais comum actor de teatro à procura de trabalho esta afirmação passa imediatamente a ser bastante estúpida, desnecessariamente arrogante e autenticamente terceiro mundista.

Uma pessoa de um país europeu minimamente ocidentalizado sente aqui um folhado misto de sentimentos desconfortáveis. Entre a pura (e ufana) parvoíce, o preciso e frio retrato de uma sociedade através de uma mera afirmação e a vergonha alheia, tanto pelos próprios como pelas desgraçadas que têm de andar a estrelar ovos e a fazer as camas desta nobreza de absolutistas pré-Revolução Francesa. Não sou adepto, nem sequer presidente-adepto de violência, mas acho que todo o banal casal de classe média, constituído por duas pessoas com profissões irritantemente triviais, que dissesse coisas destas, deveria ter em algum momento da sua existência o direito a levar duas metafóricas e bem assentes chapadas à antiga portuguesa para sua própria proteção. Não na esperança de que isso lhes trouxesse lucidez, mas com o intuito de os poupar ao intimamente ridículo das suas próprias afirmações terceiro-mundistas de cada vez que tivessem de sair do seu quintal para outro, socialmente, melhorzito. Quanto às temáticas recorrentes como a insegurança, a criminalidade, a corrupção, o binómio interior-litoral, a educação ou as condições socio-económicas menos favoráveis de grande parte da população é dever do homem dedicar o seu dia-a-dia a travar estas batalhas, onde quer que seja. Todos os cidadãos com fé na humanidade acreditam que podemos fazer do amanhã um dia um pouco melhor. Em relação aos referidos cidadãozinhos-bonequinhos deste tipo de classe média pouco ou nada há a fazer. Gente que não cresceu asfixiada pelos problemas acima, que conhece a realidade do seu país (?) e ainda assim enche o peito para proclamar barbaridades desta natureza é gente sem grande remédio e menos interesse. No pódio dos exemplos mais paradigmáticos do que é o terceiro mundo, para mim, esta gente têm um destacadíssimo, merecido e inquestionável primeiro lugar.