Na Unidade Local de Saúde do Nordeste, o Serviço Nacional de Saúde mantém-se de pé não por virtude da política seguida, mas apesar dela.
Editorial
Portugal entra num momento raro e exigente da sua vida democrática. Pela segunda vez desde o 25 de Abril, os eleitores são chamados a decidir o Presidente da República numa segunda volta, marcada para 8 de fevereiro.
No silêncio agreste do Planalto Mirandês, onde o amanhecer, nesta altura, costuma trazer apenas o som do vento a varrer a terra, instalou-se, nos últimos tempos, um ruído diferente. O da inquietação.
Aqui, no Nordeste Transmontano, o tempo não se mede apenas em datas, mede-se em rituais, em gestos repetidos, em máscaras que regressam ao rosto e devolvem sentido às comunidades.
O ano que agora se fecha ficará registado, no Nordeste Transmontano, como um tempo de acertos de contas com o passado e de interrogações sobre o futuro.
Há datas que chegam como um sino que dobra por todos, lembrando-nos que a violência que se oculta por trás de portas fechadas não é um sopro distante, mas um fenómeno que atravessa silenciosamente a nossa comunidade.
Há territórios onde o silêncio ganha peso de pedra e Bragança é hoje um desses lugares onde o tempo parece caminhar mais devagar, como se carregasse às costas a memória de quem partiu. Os números da GNR não surpreendem quem conhece estas terras.
Há lugares onde o tempo não passa, antes se debruça, comovido, sobre aquilo que a humanidade decidiu preservar.
Há decisões que, pela sua natureza, não reparam o tempo perdido, mas restituem dignidade à própria ideia de justiça.














