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Editorial

Na Unidade Local de Saúde do Nordeste, o Serviço Nacional de Saúde mantém-se de pé não por virtude da política seguida, mas apesar dela.

A deslocação do ministro da Agricultura a Bragança, no passado sábado, ficou marcada por um anúncio de peso político e financeiro, um programa de 30 milhões de euros destinado ao apoio à pastorícia extensiva.

Portugal entra num momento raro e exigente da sua vida democrática. Pela segunda vez desde o 25 de Abril, os eleitores são chamados a decidir o Presidente da República numa segunda volta, marcada para 8 de fevereiro.

No silêncio agreste do Planalto Mirandês, onde o amanhecer, nesta altura, costuma trazer apenas o som do vento a varrer a terra, instalou-se, nos últimos tempos, um ruído diferente. O da inquietação.

Aqui, no Nordeste Transmontano, o tempo não se mede apenas em datas, mede-se em rituais, em gestos repetidos, em máscaras que regressam ao rosto e devolvem sentido às comunidades.

O ano que agora se fecha ficará registado, no Nordeste Transmontano, como um tempo de acertos de contas com o passado e de interrogações sobre o futuro.

Às portas do Natal, quando a mesa se quer farta e o tempo parece suspender-se na liturgia dos gestos antigos, há números que irrompem pela tradição dentro. O preço dos ovos, esse ingrediente humilde, praticamente invisível, mas essencial, quase duplicou em três anos.
No distrito de Bragança, terra de gentes que sabem o peso da distância e o valor da palavra escrita, ameaça instalar-se uma sombra medonha, a da desinformação por abandono.

Há datas que chegam como um sino que dobra por todos, lembrando-nos que a violência que se oculta por trás de portas fechadas não é um sopro distante, mas um fenómeno que atravessa silenciosamente a nossa comunidade.

Há territórios onde o silêncio ganha peso de pedra e Bragança é hoje um desses lugares onde o tempo parece caminhar mais devagar, como se carregasse às costas a memória de quem partiu. Os números da GNR não surpreendem quem conhece estas terras.

Há lugares onde o tempo não passa, antes se debruça, comovido, sobre aquilo que a humanidade decidiu preservar.

Há decisões que, pela sua natureza, não reparam o tempo perdido, mas restituem dignidade à própria ideia de justiça.