Ter, 10/03/2026 - 14:29
O gasóleo sofreu uma subida de mais de 20 cêntimos por litro, embora o impacto seja ligeiramente reduzido pelo desconto extraordinário do Governo sobre o Imposto sobre os Produtos Petrolíferos. Segundo o Ministério das Finanças, o desconto é de 3,55 cêntimos por litro, o que deverá fixar o aumento final em cerca de 19 cêntimos. Já a gasolina simples não terá qualquer desconto, uma vez que a subida não ultrapassou os 10 cêntimos.
Em Bragança, a antecipação deste aumento levou muitos condutores ao desespero. No domingo, quase todos os postos estavam já sem combustível. Carlos Augusto foi um dos condutores que se deparou com a falta de gasóleo e teve de alterar os planos por causa da situação. “Ia abastecer o jipe para ir para a aldeia, mas não é possível. Só vou conseguir lá ir porque tenho uma carrinha que ainda tem combustível”, esclareceu, destacando ainda que a atitude de corrida aos postos de abastecimento, “como se o mundo estivesse a acabar”, é “lamentável”. “Isto não se pode fazer. As pessoas não podem ir todas a correr atestar os depósitos porque, depois, acontecem situações como esta e quem precisa mesmo de combustível para ir trabalhar, por exemplo, não o tem”, frisou.
Quanto ao aumento… não há dúvidas. “É um exagero”, rematou Carlos Augusto. “Já estava caro e agora subir 20 cêntimos de uma vez é muito. Com os salários que temos, isto pesa muito”, lamentou.
Margarida Lopes, que se deslocou a um posto de abastecimento para colocar gasolina, teve mais sorte. Foi para casa com o deposito cheio. Ainda assim, lamentou que a população continue a tomar “estas atitudes”. “Depois do que aconteceu na pandemia, em que esgotaram várias coisas, como o papel higiénico, isto já era esperado. Este tipo de situações já não surpreende”, destacou a condutora, frisando que “as pessoas acreditam que vão resolver o problema, enchendo o depósito, mas no fundo só faz com que outros fiquem sem combustível”.
Depois de um sábado de “afluência exagerada”, com “pessoas a chegar constantemente para encher os depósitos e levar gasóleo em jerricans”, o domingo foi totalmente o oposto num dos postos de abastecimento mais movimentados da cidade. “Muita gente chegou aqui e ficou surpreendida por não haver gasóleo. Chegaram a perguntar se o tínhamos e estávamos a guardar”, contou o funcionário sobre o dia atípico de domingo, deixando assente que esta “corrida” prejudicou quem de facto precisou de abastecer. “Há alguma estupidez. Veio aqui gente que precisava mesmo enão conseguiu abastecer”, contou.
A subida acentuada do preço dos combustíveis está relacionada com o conflito no Irão e o encerramento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo. A cotação do Brent, referência para a Europa, terminou a semana passada perto dos 93 dólares, quando antes do conflito rondava os 72 dólares.
No caso do gasóleo, o impacto é ainda maior devido aos baixos níveis de reservas na Europa e à forte dependência do Médio Oriente para o fornecimento de gasóleo refinado. Enquanto o bloqueio daquela rota marítima se mantiver, analistas admitem que os preços dos combustíveis possam continuar elevados nas próximas semanas.


