class="html not-front not-logged-in one-sidebar sidebar-second page-frontpage">

            

Vendavais- E o inferno aqui a lado

Parece que o destino nos lidera até ao fim dos nossos dias. Há quem não acredite neste fatalismo provinciano e opte por dar à vontade alheia e à sorte essa liderança da vida de cada um. Será assim ou não, mas a verdade é que tudo o que acontece tem uma causa e às vezes também tem explicação. Sim, porque muitas vezes não conseguimos explicar o porquê das coisas acontecerem. Vivemos num mundo a desfazer-se, a decompor-se, a desmoronar-se e todos sabemos disso, mas não conseguimos impedir que isso aconteça, ou porque os que podem não querem e os que querem não podem. Um dilema atroz que nos empurra cada vez mais para o abismo. Se dermos mais um passo em frente, caímos. O pior de tudo é que as vontades de uns não se identificam com as vontades dos outros, ainda que esses outros estejam mais certos ou pelo menos aparentem ter mais razão ao defender determinadas atitudes. Procuremos a razoabilidade das coisas e tomemos atitudes mais consentâneas com a realidade que vivemos e talvez este mundo em pedaços volte a unir-se e possamos voltar a poder olharmo-nos de frente e sem receios. Seria bom. Efetivamente, tudo seria diferente se tal acontecesse. Há já dois anos que rodopiamos em volta do receio de um vírus que por sua vez se vai transformando fugindo ao combate que a ciência lhe vai fazendo e quando se pensava que tudo estava a correr bem, eis que ele se volta a transformar pondo a comunidade científica e mundial novamente em sobressalto. Num ápice, o abismo volta a estar cada vez mais próximo. Ainda o anterior Delta se tentava debelar, mesmo contra a vontade dos negacionistas que não sabem avaliar exatamente o valor da vida e do próximo, e já temos nova preocupação. Países como a Áustria, a França, a Eslováquia e até a Alemanha, estão a braços a lutar para conter o avanço extraordinário do Covid19 – Delta, levando a Europa a ter de tomar precauções redobradas e a confinar novamente algumas cidades. Esta situação começava a estar longe das lucubrações dos mais ousados, mas é uma realidade, talvez porque a capacidade de vacinação é pouca ou porque a juventude que pensa que as adversidades só acontecem aos outros, jamais os apanharão. Enganam-se. Vive- -se um verdadeiro inferno na Europa central e de leste. São milhares a serem contagiados diariamente e os óbitos sobem cada vez mais ultrapassando os de há um ano atrás. O medo está a alastrar e a insegurança é cada vez maior. Portugal que pensava igualmente que se estava a debelar o perigo e se ultrapassava a situação caótica que se tinha vivido no Natal passado, treme agora perante um ressurgimento inesperado, ou talvez não, do número de casos que estão a surgir. Tem valido termos mais de 87 por cento da população vacinada o que incute alguma segurança acrescida, mas não total. Novamente, vemos que está na camada mais jovem o alastrar da pandemia. Isto deve-se obviamente, a uma certa irreverência e falta de responsabilidade que tem caracterizado a juventude. O abuso das liberdades e a vontade de recuperar o tempo perdido, leva-os a um comportamento irresponsável e demasiado perigoso. Por enquanto, ainda podem ir às discotecas, mas até quando? Cabe-lhes determinar a data do seu próprio impedimento. O aproximar da época natalícia e da confraternização familiar, é um momento igualmente perigoso e por isso terá de estar sujeito a uma certa contenção nos festejos. Família é família, mas se a queremos ter sempre perto de nós, temos de a saber preservar. Já todos pensávamos num Natal igual a muitos outros de há uns anos atrás, mas a cortina que se está a levantar, corre célere e temos de esperar pelo inesperado. Oxalá não aconteça. O melhor é não descurar as possibilidades perante a nova estirpe que chega à Europa vinda da África do Sul e cujas referências ainda estão por decifrar. Meio incógnita, parece trazer sinal de morte e de rápido contágio. Novamente o Inferno aqui ao lado. Fronteiras fechadas, testes obrigatórios, aceleração da vacinação, teletrabalho obrigatório, aulas adiadas, escolas fechadas, hospitais a rebentar pelas costuras e falta de pessoal médico. Pior Inferno não há. Esta nova variante ainda não chegou ao nosso país, mas não demorará muito. Se acontecer, todos corremos o risco de viver mais um Natal e um Fim de Ano, que não queremos, e não desejamos, porque ninguém quer viver num Inferno deste tamanho, se é que o Inferno tem tamanho. Deus nos livre de tal coisa.

A vitória da arraia-miúda

Todos os cidadãos ganhavam (ganham) em ler as inolvidáveis crónicas de Fernão Lopes. Os elementos da classe política além de ganharem culturalmente, também arrecadavam sageza ao perceberem quão importante foi o papel da arraia- -miúda na porfiada defesa da nossa independência ao ser o pilar da Revolução de 1383- 85, a qual foi apelidada de crise nos meios da historiografia do Estado Novo. Feita esta referência à qual a Escola, apagada atenção lhe concede, duvido que os responsáveis do Ministério tenham recreado o espírito deleitando-se na leitura das referidas crónicas, estabeleço um paralelismo entre o espírito pragmático e lutador do povo a enxotar a barregã Leonor Teles e o espinhoso triunfo de Rui Rio no embate contra Paulo Rangel no sábado dia 27 de Novembro do ano em curso, Porquê? Porque condes, Duques, Marqueses, Barões, Viscondes, Escudeiros, Pajens e Açafatas do reino laranjinhas (entenda-se PSD) por pensamentos, palavras salivadas nos órgãos de comunicação social, e obras aparelhadas nas cadeias das confrarias do badalo, tudo tentaram e fizeram no objectivo de catapultarem Paulo Rangel para o colocarem à frente do destino do Partido saboreando antecipadamente os virtuais pastéis de nata (lugares nas listas de deputados e demais prebendas do aparelho de Estado) porque a melhor «manjedoura» é a do Orçamento pago por todos os contribuintes. O povo miúdo menos pobre e esfaimado da época dos pés descalços (patas ao léu, da Patuleia), no entanto, compungidos e a roerem insatisfações ante o descalabro do País, afogado em escândalos financeiros e militares, a braços com a pandemia, os militantes sem rosto do PSD intuirão quão necessário era aproveitarem o ensejo de tentarem derrotar os socialista no poder há muito tempo, daí responderem à chamada eleitoral de 30 de Janeiro de 2022, escolhendo um líder sem os denominados rabos-de-palha, autarca experimentado, capaz de responder «senão não» a garrotes de interesses, amiguismos e companhia limitada. Bem sei, muitos dos acerados críticos do ora reeleito primeiro responsável do rincão laranja, em virtude de serem adesivo até à medula não conseguem resistir ao apelo videirinho dos sempre em pé, tal qual os teimosos da minha infância. Como tem acontecido até agora, Rio terá de continuar a enxotá-los sem contemplações e comoções. Nesta campanha ouvi alguns barões a descarregarem fúrias, sarcasmos e ironias sobre os ombros do vencedor da contenda, dado lhes conhecer o historial apenas escrevo: como é possível? É, a ambição desmedida leva ao ensandecimento!

Algumas das nossas terras já não têm transportes públicos

Ter, 30/11/2021 - 09:05


Estamos  a fechar o mês de Novembro. Esta edição é abençoada por Santo André, e como diz o povo: “ no dia de Santo André pega o porco pelo pé, se ele disser quié-quié, diz-lhe que tempo é; se ele disser que tal, que tal, guarda-o para o Natal.”
Alguma da nossa gente disse-nos que juntaram a apanha da castanha com a da azeitona. A tia Maria de Lurdes, de Mós de Celas, Vinhais, diz que por este andar ainda tem castanhas até ao Natal.